sábado, 23 de setembro de 2017

Desmistificando falácias e inverdades sobre os Correios

Com o movimento paredista em curso na Empresa, autoridades do Governo Federal, no afã de apoiar a direção política que comanda a organização, têm dado declarações públicas que reproduzem falácias ou inverdades sobre os Correios e seus negócios.

Nesta postagem, trataremos de algumas dessas questões, na expectativa de que as assessorias técnicas dessas autoridades as auxiliem a compreender melhor o assunto, evitando que cometam erros graves, como tem ocorrido.

Cartas
Uma primeira afirmação que tem sido apresentada por alguns Ministros, a partir de declarações enviesadas da própria direção dos Correios, é que "ninguém mais escreve carta", assim "o serviço postal estaria morrendo".
O que essas autoridades não sabem, talvez por não terem sido informadas disso, é que há décadas a comunicação por carta entre pessoas no Brasil é apenas um traço na estatística de postagens, ou seja, não é fato recente a queda de demanda de cartas pessoais. A imensa maioria das cartas que circulam nos Correios desde muito tempo é de cunho comercial - extratos, boletos e propagandas. E essas mensagens são convenientes e adequadas para muitos clientes.
Ao tratar dessa forma rasa e equivocada esta questão, essas autoridades do Governo Federal fazem um desserviço à Empresa, quando deveriam ressaltar a importância dos serviços postais - prestados no Brasil por uma entidade estatal - para a população e para a própria economia do País.

Privatização
Outra questão que é sempre trazida à tona, como uma espécie de ameaça aos trabalhadores, é a possibilidade de privatização dos Correios. Esta questão vem à tona para evitar a discussão de questões de fundo que deveriam precedê-la, como, por exemplo, as reais causas que levaram os resultados recentes da Empresa para o campo negativo (ver matéria anterior no blog), as quais decorreram, em boa parte, de decisões do próprio acionista (Governo Federal). Seria de uma irresponsabilidade gigantesca o próprio Governo Federal empreender a privatização de uma estatal, a preço vil, após depauperá-la com decisões como o recolhimento excessivo de dividendos e o congelamento de tarifas. Além disso, as experiências mal sucedidas de privatizações no setor postal estão presentes, para mostrar que este caminho não é simples e nem pode ser empreendido ou decidido a partir de rompantes das autoridades de plantão, afinal trata-se de uma infraestrutura que pertence aos brasileiros, há centenas de anos, e que tem papel estratégico, especialmente num País com as características continentais e de liderança regional, como o Brasil.
Minha sugestão para as autoridades: pensem na profissionalização da gestão dos Correios, no cumprimento absoluto e imediato da Lei nº 13.303/2016, como têm procurado fazer outras estatais. Isso poderá trazer para o Brasil resultados rápidos e muito mais concretos que os decorrentes de um eventual processo de privatização.

Plano de Saúde 
E uma terceira falácia que tem sido repetida é de que boa parte do prejuízo da Empresa decorre do plano de saúde dos trabalhadores. Trata-se de uma afirmação infundada conceitualmente. Para ilustrar, basta que se pegue, por exemplo, qualquer outra grande despesa, como, por exemplo, as comissões pagas a franqueados, e se atribua exclusivamente a essa despesa os prejuízos da Empresa, ou ainda, que se faça isso com as despesas com transporte. Numa organização do porte dos Correios, despesas como estas ascendem a casa de bilhão de reais por ano e, nem por isso, podem ser responsabilizadas isoladamente pelo resultado geral da organização. 
Todas essas grandes despesas precisam sim de gestão profissional, livre de questões como a interferência política, por exemplo. O problema não está, portanto, na existência dessas despesas, mas sim em seu gerenciamento.

As estatais brasileiras precisam ser geridas por profissionais devidamente qualificados, que conheçam os negócios e as operações de suas companhias, que saibam valorizá-las e entregar à nação os resultados esperados. Nos Correios, isso não é diferente. A Empresa é como um grande transatlântico, com um casco bem construído e forte, que navegará tranquilamente se for bem comandado e contar com uma tripulação profissionalizada. Se, porém, essa missão for confiada a canoeiros, esses continuarão informando que há tantas pedras e icebergs no caminho que está difícil chegar ao destino. E as autoridades, se não perceberem a situação, continuarão a repetir que a nau está com problemas, que a culpa é do mar e que é melhor vender a embarcação para os piratas e abandonar de vez a navegação.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Carta enviada aos titulares do MCTIC, Fazenda e Secretaria Geral da Presidência da República

Diante das manifestações dos Ministros de Estado da Fazenda e da Secretaria Geral da Presidência da República a respeito dos Correios, encaminhei ontem à noite (21/09) carta aberta aos titulares do MCTIC, Fazenda e Secretaria Geral, nos seguintes termos:



Carta Aberta aos Ministros Moreira Franco, Henrique Meirelles e Gilberto Kassab

Exmos Senhores Ministros de Estado,

Ao ler matérias mencionando declarações de V.Exas. a respeito dos Correios, concluí que é necessário apresentar-lhes uma visão distinta da que lhes tem chegado pela burocracia governamental e pela direção da Empresa.

Diferentemente do que lhes tem sido informado, a questão do desequilíbrio financeiro dos Correios não decorre da redução de seus negócios e nem dos efeitos do plano de saúde dos trabalhadores, vilanizado pela atual direção, mas sim do impacto conjugado de medidas que drenaram cifras bilionárias dos cofres da Empresa, depauperando a organização. Tratemos, então, dessas medidas.

Pós-emprego

Até 2012, a Empresa não contabilizava os chamados benefícios pós-emprego, que incluem benefícios de aposentadoria e pensão e outros pagáveis a partir do final do vínculo empregatício. Estes benefícios abrangem itens como: benefícios de aposentadoria (pensões e pagamentos únicos por ocasião da aposentadoria) e outros benefícios pós-emprego, tais como seguro de vida e assistência médica pós-emprego.

A norma CPC-33, emitida pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis e aprovada pela CVM em 2009, tornou obrigatória essa contabilização. Assim, a partir de 2013, a Empresa teve que passar a contabilizar uma despesa anual que tem superado R$ 1,5 bilhão, alusiva ao pós-emprego. Como o melhor resultado histórico da Empresa foi um lucro anual de pouco mais de R$ 1 bilhão, em 2012, essa mudança sozinha já praticamente levou o resultado da organização para o campo negativo.

Em nossa opinião, os efeitos da mudança trazida pela CPC-33 para estatais que são grandes empregadoras, como os Correios e a CAIXA, não mereceu adequada atenção do Governo Federal, pois, apesar de alterarem muito fortemente a equação econômica dessas organizações, foram simplesmente deixados para tratamento pelas próprias estatais, as quais tiveram que sacrificar reservas ou ativos para fazer frente ao lançamento inicial dessa nova despesa, além de também comprometerem, a partir daí, seus resultados anuais. 

No mínimo, este assunto deveria receber nova avaliação interministerial, no sentido de verificar se é adequada a aplicação do modelo geral a essas grandes empregadoras, considerando, inclusive, as especificidades tributárias aplicáveis, e, em caso afirmativo, que tipo de medidas poderiam ser adotadas ao longo do tempo para a absorção desses efeitos e regularização da equação econômica dessas importantes instituições.  

Tarifas

As receitas da Empresa também foram impactadas por decisão exclusiva de seu acionista (Governo Federal – Ministério da Fazenda) relacionada a tarifas, que permaneceram congeladas entre 2012 e 2014. Este congelamento de preços não tinha razão técnica para ter ocorrido, mas tão somente política. E deixou um rombo nos cofres dos Correios de mais de R$ 1 bilhão.

Dividendos

O elevado pagamento de dividendos ao Tesouro Nacional nos últimos anos também contribuiu significativamente para a descapitalização da Empresa, com a consequente redução do rendimento das aplicações financeiras dos excedentes de caixa. Entre 2000 e 2012, os Correios repassaram para o Tesouro Nacional mais de R$ 4 bilhões além do limite mínimo de 25% do lucro líquido. Em alguns anos, os repasses ao Tesouro superaram todo o lucro líquido, conforme já foi apontado, inclusive, pela CGU.

Como o faturamento anual dos Correios está na casa dos R$ 20 bilhões, é bem simples perceber que esse conjunto de fatos constitui a real causa da situação que se configurou na Empresa. Infelizmente, porém, as gestões políticas que têm se sucedido nos Correios não souberam lidar com esse quadro e nem aproveitar as oportunidades de desenvolvimento que foram abertas para a Empresa com a Lei nº 12.490/11. Em vez disso, buscam justificar a situação colocando a culpa no mercado e nos trabalhadores, quando o real problema é outro bem diferente.

O Brasil é um país continental, com indiscutível posição de liderança regional. Contar com uma empresa de Correios forte, bem gerida e eficaz deveria ser uma prioridade não para “evitar mais um lançamento negativo no balanço do Governo Federal”, mas sim para constituir uma alavanca comercial para a economia do país, como já perceberam diversas nações. Grandes correios mundo afora estão aí para demonstrar que um braço logístico bem montado pode representar muito para a economia nacional, integrando o país, auxiliando na inserção e desenvolvimento de todas as regiões, mesmo as mais distantes dos grandes centros. E os Correios já demonstraram em passado relativamente recente que podem estar entre os melhores do mundo, pois qualidade técnica em seus quadros não falta, bastando que isso seja orquestrado por lideranças tecnicamente capazes e visionárias. Importante lembrar, ainda, que os Correios possuem endividamento muito pequeno diante das dimensões empresariais, além de contarem com infraestrutura instalada e serviços consolidados no mercado, alguns em posição de liderança e outros em área de reserva.

Até mesmo a propalada questão da paulatina redução de postagem de objetos de correspondência – fato repisado à exaustão nos discursos da direção da Empresa, para justificar a ausência de resultados - não constitui óbice para o futuro da Empresa, pois, além de não ser fato novo, é algo que pode facilmente ser superado, com inteligência e estratégia, a partir de novas receitas nos demais segmentos de atuação dos Correios, especialmente em logística/encomendas. Uma direção qualificada faria isso com facilidade.

Se, porém, o Governo Federal continuar insistindo no velho patrimonialismo, que entrega estatais ao comando de partidos políticos, a discussão permanecerá restrita a déficits e sucessivos cortes de custos, que só reduzirão ainda mais os resultados e acabarão reforçando a equivocada conclusão de que a privatização seria a saída para evitar mais um lançamento negativo no balanço do país. Miopia pura, pois os Correios são uma organização vigorosa, com excelentes fundamentos e um quadro valoroso de trabalhadores, que tem tudo para superar o desequilíbrio e alcançar novamente a sustentabilidade. Precisa apenas de boa e competente gestão, sem interferências políticas, e de responsabilidade do acionista no que lhe compete.

A solução para os Correios é, portanto, tecnicamente muito simples, em linha com o que prevê a Lei nº 13.303/2016.

Atenciosamente,

Marcos César Alves Silva
Analista de Correios Sênior – Administrador Postal
Membro eleito pelos trabalhadores para o
Conselho e Administração dos Correios

sábado, 9 de setembro de 2017

Um outro efeito da politização da gestão

Ao colocar políticos e seus indicados nos principais cargos de estatais, não se produz apenas uma maior risco de corrupção, como se tem visto nos diversos casos fartamento noticiados pela mídia. Um outro efeito tão nocivo quanto esse, mas que tem merecido menos atenção, é a queda na qualidade da gestão da estatal politicamente ocupada.

A situação ideal seria ter nos postos de gestão de estatais, especialmente das grandes empresas, pessoas devidamente preparadas, com formação e experiência no respectivo ramo de atuação. Poderiam ser oriundos do quadro próprio da estatal, onde, em geral, há pessoas bem experientes e conhecedoras dos negócios e das operações das respectivas companhias, ou então do mercado, desde que se tratasse de executivos devidamente preparados e bem selecionados.

Ao trilhar o caminho, hoje ilegal, de colocar no comando de estatais políticos e seus indicados, o Governo acaba condenando as próprias estatais a sofrerem os efeitos da má gestão, que se materializam na perda do rumo estratégico, no encolhimento dos negócios, na queda de resultados e na própria desvalorização das companhias.

Assim, é urgente e fundamental que a Lei nº 13.303/2016 seja efetivamente cumprida, sem rodeios nem jeitinhos, a bem das estatais brasileiros, do Governo - seu controlador - e da própria sociedade. A profissionalização da gestão se impõe e precisa sobrepujar as forças do atraso, que ainda defendem a ocupação política das estatais. Chega de patrimonialismo e de gestões deficientes! 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Ata da 7ª ROCA

Foi publicada hoje no site dos Correios a ata da 7ª Reunião Ordinária do Conselho de Administração em 2017.
A leitura da ata possibilitará o conhecimento de posicionamentos importantes que registramos na ocasião, a respeito de temas como a substituição do Chefe da Auditoria, a proposta de criação de novos cargos estatutários, trâmite da proposta de reestruturação empresarial e expediente recebido do Presidente do POSTALIS.
Boa leitura!

Cumprir a Lei, uma solução bem simples!

Na reunião extraordinária do Conselho de Administração havida no dia 05/09, o colega Anezio questionou a permanência de indicados políticos nas regionais da Postal Saúde. Ponderou o colega que isso era um contrassenso, num momento em que a direção postulava a necessidade de redução drástica de despesas na Empresa, inclusive com o plano de saúde, não só porque a permanência dessas pessoas nos quadros dos Correios representava desperdício de recursos, mas também pelas consequências operacionais negativas, decorrentes de se ter gente despreparada nessas posições.

A resposta recebida foi o lugar comum que vem sendo repetido pela Presidência - enquanto os Correios forem uma empresa pública, terá políticos em sua gestão, e, se quiserem mudar isso, terão que privatizá-la.

Esta resposta dada em reunião ao colega afronta a todos - Trabalhadores, Governo e Congresso, pois materializa um pensamento retrógrado e hoje até ilegal, de se tratar as instituições públicas como se pertencessem aos partidos.

A Lei nº 13.303/2016 e o Decreto nº 8.945/2016 vieram para mudar essa situação, para colocar dirigentes devidamente habilitados e sem histórico político no comando das estatais, para assegurar que essas organizações pudessem contar com conselheiros independentes etc. Enfim, trata-se de algo que a legislação já enfrentou, mas que, no Brasil da atualidade, ainda encontra pontos de resistência que desejam manter o status quo anterior. Infelizmente, no comando dos Correios ainda temos um desses pontos.

No Brasil moderno, que nossos legisladores vislumbraram ao produzir a Lei nº 13.303/2016, as estatais são vistas como organizações que precisam ser bem dirigidas, por gente devidamente habilitada, sem vinculações políticas e que entenda do negócio e das operações que comanda, supervisionada por um conselho composto também por membros independentes. Uma receita simples que um dia terá que ser implementada também nos Correios, que não precisa ser privatizado para se livrar das interferências políticas, já que há uma lei a ser cumprida.

A solução, portanto, para a questão colocada pelo colega Anezio, é bem mais simples do que a resposta que lhe foi dada: basta cumprir logo a lei nos Correios, banindo daqui as interferências e indicações políticas, como já fazem com êxito outras estatais!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Petrobras e BB - Destaques em Governança


Nos últimos dias, tivemos a notícia de que o BB e a Petrobras haviam obtido o certificado Destaque em Governança da B3, antiga BM&F Bovespa, conforme tratam as duas matérias que se seguem, extraídas dos sites das duas companhias.

A conquista é importante porque demonstra que é possível e vantajoso para grandes organizações evoluir em questões de boa governança.

Dentre os inúmeros avanços promovidos nas duas organizações, destacaria as seguintes iniciativas:
- PETROBRAS - definição de uma política para indicação de membros da alta administração que vai além das exigências previstas na Lei 13.303/2016 (Lei das Estatais), incluindo experiência em cargos de direção superior e reputação ilibada e prevendo uma análise de integridade, conhecida como "Background Check", que visa a subsidiar o processo de indicação para as posições-chave da companhia, em benefício da meritocracia;
- BB - definição de Política de Indicação e Sucessão de Administradores.

São iniciativas assim que precisam ser bem disseminadas em todas as empresas controladas pelo Governo.

Boa leitura!

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Petrobras adota série de medidas que lhe garantem Destaque em Governança

Publicado em: 09/08/2017 15:45:52
FOTO FABIO MARINO
Entenda como a Petrobras alcançou a certificação pela B3

Evento na tarde desta quarta-feira (9/8), em São Paulo, marca a certificação da Petrobras no Programa Destaque em Governança das Estatais da B3, antiga BM&FBovespa. É mais um passo importante no compromisso da Petrobras com a contínua melhoria de sua governança corporativa, bem como seu alinhamento às melhores práticas do mercado.

Para ser certificada no programa da B3, a Petrobras atende a todas as medidas obrigatórias do Programa. E, em relação às adicionais, obteve uma pontuação de 56 pontos.

Por exemplo, desde 2016, a companhia vem adotando medidas para cumprir diretrizes sobre a composição do Conselho de Administração, Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal, como a diversidade de experiências e qualificações.

Além disso, a Petrobras adotou uma política para indicação de membros da alta administração, que vai além das exigências previstas na Lei 13.303/2016 (Lei das Estatais), incluindo experiência em cargos de direção superior e reputação ilibada.  Esta política prevê uma análise de integridade, conhecida como "Background Check", que consiste em um sumário de dados reunidos a partir de diversas bases de informações, como órgãos públicos, empresas especializadas e sistemas internos da companhia, que visa a subsidiar o processo de indicação para as posições-chave da companhia, em benefício da meritocracia.

Também foram condições para a certificação da B3, a explicitação dos compromissos assumidos pela companhia na busca do interesse público, por meio de políticas públicas compatíveis com a atuação empresarial da Petrobras.

Estas condições se somam a outras já implantadas pela companhia no intuito do aprimoramento de sua Governança Corporativa, dentre as quais - a criação e incorporação ao estatuto social da empresa do Comitê de Minoritários, que analisa operações que envolvam a Petrobras e partes relacionadas, entre as quais a União Federal, suas autarquias, fundações e empresas.

A adesão ao Programa reforça o compromisso da Petrobras com a governança corporativa e com o aprimoramento da sua gestão e dos seus controles, contribuindo para a divulgação de informações mais completas e precisas, bem como para a rentabilidade e a sustentabilidade da companhia.

Nível 2 da B3

A Petrobras já iniciou estudos para aderir ao segmento especial de listagem Nível 2 da B3, que assim como a certificação no Programa Destaque em Governança de Estatais, funciona como um selo de qualidade em governança.

Para uma companhia atingir o Nível 2 de governança corporativa é necessário adotar um conjunto de práticas previstas no regulamento. Várias delas já são seguidas pela Petrobras. É o caso, por exemplo, de ter pelo menos 25% de ações em livre circulação e de as posições de presidente do Conselho e de principal executivo da companhia não sejam ocupadas pela mesma pessoa.

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Banco do Brasil é certificado pela B3 no Programa Destaque em Governança de Estatais

Nos últimos meses, o BB, que integra o Novo Mercado desde 2006, promoveu os aprimoramentos necessários para atender as exigências previstas pela Bolsa

O Banco do Brasil participou nesta quarta-feira, 9, da cerimônia de toque de campainha para celebrar sua certificação no Programa Destaque em Governança de Estatais da B3 (antiga BM&FBovespa) – destinado a empresas estatais que se comprometem voluntariamente com as melhores práticas de governança corporativa. Durante a cerimônia, o presidente do BB, Paulo Caffarelli, afirmou que "nenhuma empresa que queira estar preparada para o futuro pode abrir mão de três pilares essenciais: rentabilidade, ética e transparência".

Nos últimos meses, o BB, que já integra o Novo Mercado desde 2006, promoveu os aprimoramentos necessários para atender as exigências previstas pela Bolsa, robustecendo, assim, suas estruturas e práticas de governança corporativa.

Dentre as medidas adotadas pelo Banco, é possível destacar a elaboração e divulgação da Carta Anual de Governança Corporativa, formulação das Políticas de Transações com Partes Relacionadas, de Indicação e Sucessão de Administradores e de Remuneração aos Acionistas; o aprimoramento dos conteúdos do Formulário de Referência; a revisão do Estatuto Social do BB, do Código de Ética e das Normas de Conduta; e o fortalecimento de estruturas de gerenciamento de riscos e controles internos, com a criação, por exemplo, do Comitê de Riscos e de Capital.

Para o Banco, o Programa funciona como uma certificação de qualidade em governança, ou seja, uma sinalização para os investidores de que as práticas empresariais são sólidas, transparentes e confiáveis, e que a empresa está comprometida com a ética, eficiência, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Contrassensos nos Correios

Com a reestruturação em curso, muitos trabalhadores perderam as funções que exerciam e tiveram que ser realocados em outras atividades. O prejuízo econômico, com remuneração reduzida, e profissional, com um nível inferior de atividade, foi significativo em muitos casos. É um preço elevado que é cobrado dos trabalhadores, para que a Empresa seja ajustada à nova estrutura.

Por outro lado, movimentos dissonantes continuam em curso ou são iniciados pela direção, como, por exemplo, a manutenção nos quadros da Empresa dos onerosos assessores especiais, contratados politicamente e sem concurso público, ao arrepio da lei, e de cedidos posicionados em elevadas funções de assessoramento, assim como a recente tentativa de criação de quatro cargos estatutários, o que, na prática, significa dizer mais 4 posições de Diretoria, para exercer atribuições que podem ser perfeitamente desempenhadas por empregados que venham a ocupar funções já existentes na Empresa, sem implicar acréscimos de despesas.

De forma simples, as posições de assessores especiais têm servido, tão somente, para a direção acomodar indicados políticos e as de cedidos para multiplicar salários de servidores protegidos. Nenhum deles é estrategicamente necessário para a Empresa e sua presença só onera a folha de pagamento e o plano de saúde. Em momento de aperto orçamentário, estas deveriam ser as primeiras posições a serem eliminadas, mas vão permanecendo, enquanto os profissionais do quadro próprio vão sendo cada vez mais sacrificados, sendo inclusive acusados injustamente de serem os causadores da situação crítica em que a Empresa se encontra, embora continuem "carregando o piano" de uma forma ou de outra.

Já a proposta de criação de quatro posições de Diretoria beira o absurdo, pois o natural seria estarmos debatendo movimento contrário, ou seja, de redução dessa quantidade de posições na Empresa, já que a situação é de aperto orçamentário. Uma empresa que reduz drasticamente, como foi feito, sua força de vendas e diversas outras estruturas e que cogita aumentar posições de Diretoria não pode estar num bom caminho.

Contrassensos são típicos de gestões descomprometidas. Mas tudo tem um limite. E os responsáveis por decisões assim completamente despropositadas precisam responder pelos prejuízos que imputam aos Correios e, por consequência, à sociedade brasileira.

sábado, 29 de julho de 2017

Por que nos Correios quem tem que "pagar o pato" é sempre o trabalhador?

A cada matéria que leio tentando atribuir aos trabalhadores dos Correios, a seus salários e benefícios a responsabilidade pela situação econômica em que a Empresa se encontra mais me incomodo, pois se trata de uma abordagem rasa e mentirosa, que passa ao largo das reais causas - interferências indevidas do Governo Federal, sugando recursos além da conta em forma de dividendos ou impedindo reajustes de tarifas, somada ao mau desempenho dos dirigentes políticos despreparados que passaram pela Empresa nos últimos anos.

O plano de saúde dos trabalhadores é frequentemente atacado pela direção, que simplesmente compara seu custo com os prejuízos que não consegue reverter e, de maneira totalmente arbitrária, atribui ao plano o déficit da Empresa. Por que a direção não menciona, por exemplo, que os Correios pagam mais de R$ 2 bilhões de reais de comissões para seus franqueados atenderem principalmente serviços monopolizados. O valor é até maior que o projetado déficit da Empresa e maior que os custos com o plano de saúde. Bastaria, por exemplo, deixar de pagar essas comissões e voltar a atender os clientes nas agências próprias - que a direção tem fechado - para equilibrar a Empresa. 

Para alguns este raciocínio pode parecer raso demais, mas tem mais profundidade que o raciocínio da direção, ao atribuir ao plano de saúde o déficit dos Correios.

Por que a eliminação, ou, pelo menos, a redução dessas comissões nunca é mencionada como possibilidade pela direção, nem devidamente estudada? Talvez porque seja mais fácil retirar os direitos dos cem mil trabalhadores que mexer com os interesses de alguns poderosos. 

Chega de pagar o pato, indevidamente!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O velho e o novo Brasil

Estou assistindo, no momento em que escrevo esta postagem, uma entrevista na Globo News com o Presidente da Petrobras. Há alguns minutos, o entrevistado repetiu o que já disse em outras entrevistas - que acabou o aparelhamento político na companhia. Além disso, discorreu sobre como a Petrobras está assegurando que as decisões sejam tomadas de forma mais segura e sobre as decisões que estão tomando para recuperar valor da companhia. Enxerguei ali um novo Brasil, onde as boas práticas gerenciais prevalecem.

Por outro lado, tive nesta semana o dissabor de apreciar uma inciativa que caminha no sentido oposto - do velho Brasil. Refiro-me à tentativa de transformação de quatro posições dos Correios em estatutárias, para, em seguida, ocupá-los com indicações políticas, em livre provimento. 

Se as ressalvas feitas por um dos conselheiros que votou favoravelmente mas que estabeleceu condições que praticamente inviabilizam a medida não forem suficientes para barrar essa absurda iniciativa, teremos aí um exemplo do velho Brasil, dominado pela velha política, que, sob a vazia e desgastada desculpa de "oxigenação", vai tentando abrir espaço para a ocupação política na Empresa. 

Pior ainda, enquanto a Petrobras caminha no sentido de ter decisões formalmente muito bem sustentadas, rumamos no sentido contrário, acatando um relatório desprovido das condições mínimas necessárias para apreciação num colegiado superior, sem parecer jurídico ou técnico e com informações visivelmente incorretas. Velho Brasil, que precisa mudar, com a eliminação da interferência política nas estatais e a profissionalização da gestão. 

A Petrobras está demonstrando que a "oxigenação" necessária numa estatal vem com o fim das indicações políticas para todos os cargos de gestão, do topo à base da companhia. Este é o novo Brasil, que vai tomando forma!

Informe sobre reunião do Conselho de Administração de 26/07/2017

Enviamos aos colegas o informe sobre a 7ª Reunião Ordinária do Conselho de Administração, ocorrida em 26/07/2017. A mensagem pode ser acessada nesse link.

domingo, 23 de julho de 2017

Prioridades para a Gestão

(artigo publicado na coluna MOMENTO CORREIOS / MUNDO, do jornal da ADCAP Minas)

Por Marcos César Alves Silva, Administrador Postal Sênior, membro eleito para o Conselho de Administração dos Correios. 

Ao tratarmos, em reunião do Conselho de Administração, do Relatório de Gestão da empresa alusivo ao ano de 2016, solicitamos que fosse registrado em ata que consideramos importante que a Diretoria Executiva dedique especial atenção aos seguintes pontos: 
a) priorização do desenvolvimento de novos negócios, notadamente nos segmentos de encomendas, logística, serviços financeiros e correio digital, deslocando o foco prioritário de atenção da empresa para a geração de receitas; 
b) atuação efetiva para inverter a curva de crescimento de reclamações, tornando-a declinante; 
c) desenvolvimento e aprimoramento de mecanismos de aproveitamento adequado das pessoas, abrangendo, entre outros temas, o plano de funções e os critérios de designação. 

A primeira das recomendações fala em deslocar o foco prioritário de atenção da empresa para a geração de receitas, depois de um período em que praticamente toda a atenção tem-se concentrado em produzir economias. Os Correios possuem grandes oportunidades de desenvolvimento e de ampliação de negócios e estas precisam ser melhor aproveitadas. A inovação precisa voltar à ordem do dia.

A segunda recomendação fala em qualidade operacional, um tema sempre presente e que merece uma atenção mais estruturada da direção. Não é possível mais aceitar que a curva de reclamações continue ascendente, ano após ano. Inverter esta curva deve ser preocupação constante de toda a direção e não apenas da direção de operações. 

A terceira recomendação trata das pessoas. A implantação de um plano de funções e de critérios objetivos para designação de funções é pendência antiga da área de gestão de pessoas e não pode permanecer sem solução. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Justiça que não chega é injustiça criminosa!

Se os déficits apresentados pelos fundos de pensão dos trabalhadores dos Correios, da Caixa e da Petrobras fossem decorrentes de problemas econômicos havidos no mercado que tivessem levado os investimentos a não performarem como necessário, as contribuições adicionais que estão sendo impostas pelos planos de equacionamento do POSTALIS, da FUNCEF e da PETROS poderiam ser considerados justas. Todos sabem, porém, como demonstrou em seus aspectos gerais a CPI dos Fundos de Pensão, que a história não foi bem essa, ou seja, que os prejuízos decorreram de aplicações feitas sem os cuidados necessários ou até, de forma criminosa, para lesar fortemente esses fundos.

Alguns alentos surgem no horizonte, como a previsão de reversão de recursos para FUNCEF e PETROS de parte do valor cobrado no processo de leniência da JBS, mas o fato concreto é que os participantes e assistidos continuam arcando com contribuições adicionais, assim como suas patrocinadoras.

Isso precisa ser passado a limpo e não pode levar muito tempo, pois muitas das pessoas prejudicadas são idosas. Justiça, Órgãos de Controle, Governo Federal e Congresso precisam perceber isso e agir, cumprindo tempestivamente as razões de sua existência.

Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada, já dizia Rui Barbosa.

Acrescentaríamos hoje que justiça que não chega é injustiça criminosa!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Comunicação sobre atuação no comércio eletrônico

Nas reuniões do Conselho de Administração deste ano, tenho cobrado incisivamente um posicionamento mais firme da Empresa, em sua comunicação institucional e comercial, com relação ao comércio eletrônico, para demonstrar que os Correios não abandonaram esse setor de negócios, como afirma a concorrência, a partir da extinção do e-SEDEX. Entendo que trata-se de uma questão estratégica, de responsabilidade exclusiva da direção da Empresa, que deveria merecer a melhor e mais urgente atenção dos dirigentes.

Sei dos esforços dispendidos pelos técnicos da Empresa para administrar nossos serviços de encomendas, assim como da qualidade do trabalho desenvolvido por esses técnicos. Foi graças à capacidade deles que alcançamos o patamar de participação muito significativo que ostentamos. Foi graças ao trabalho deles que praticamente todas as plataformas de lojas virtuais do Brasil tem nativamente as opções de envios pelos Correios. Foi graças à dedicação e competência deles que os Correios conquistaram papel de máxima relevância no tema comércio eletrônico no âmbito da União Postal Universal. E essas conquistas precisam ser valorizadas e potencializadas. 

Assim, para que não paire nenhuma dúvida a respeito, considero necessário destacar que as cobranças que tenho feito não se destinam, de forma alguma, aos técnicos da Empresa, que têm cumprido com esmero suas missões, mas sim à direção da organização, que é responsável pelo vácuo na comunicação institucional e comercial sobre os serviços da Empresa, incluindo os do segmento de encomendas. 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Reestruturação

Hoje (05/07) foi oficialmente implantada a reestruturação na Administração Central dos Correios.

Do power point diretamente para a prática, a reestruturação vai desmontando estruturas e erigindo outras, com as pessoas sendo realocadas num processo que os trabalhadores não compreendem, por não estar baseado em critérios técnicos previamente estabelecidos para as designações e nem mesmo num plano de funções, coisas que não existem na Empresa. Prevalece, assim, o subjetivismo, praticado sob o comando de uma direção política, cercada de uma assessoria em geral assim também escolhida.

Neste contexto, solidarizo-me com os inúmeros colegas que, apesar de terem carreiras e desempenho brilhantes, deixarão suas funções sem maiores explicações, apenas por não terem sido escolhidos pela direção.   

sábado, 1 de julho de 2017

Informativo sobre a reunião de 29/06/2017



Enviamos aos colegas informativo sobre a reunião ordinária do conselho de administração ocorrida no dia 29/06/2017.

Para visualizar a mensagem enviada, clique no link.