quarta-feira, 14 de junho de 2017

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Boatos sobre demissão motivada

Como recebi diversas consultas de colegas a respeito desse assunto nos últimos dias, esclareço que não houve nenhuma decisão do Conselho de Administração sobre o tema demissão motivada.

Este assunto nunca foi submetido formalmente ao CA, como comunicado ou relatório, que são os instrumentos formais de apresentação de temas.

E, para que cesse a onda de boatos a respeito, que só assustam indevidamente os colegas já preocupados com outras questões, como a reestruturação e o PDI, solicitarei que a direção da Empresa divulgue nota esclarecendo de vez o tema, para todos os trabalhadores.

sábado, 10 de junho de 2017

Aos colegas que se retiram no PDI

Para os colegas que se retiram da Empresa neste mês, por adesão ao PDI, deixo meus agradecimentos pela valiosa contribuição que nos deram ao longo de suas carreiras. Foi com base no trabalho desses colegas que a Empresa se consolidou como um dos melhores correios do mundo.

Dentre os que se retiram, há muitos com os quais trabalhei diretamente, há amigos próximos e também referências em conhecimento do negócio e das operações postais.

Espero, sinceramente, que encontrem alegrias e realizações em sua nova etapa de vida. E também que os colegas que permanecem na Empresa saibam valorizar o legado que lhes fica.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O desafio permanente da atualização tecnológica

Na década de 80, chegavam ao Brasil os primeiros aparelhos de fax e, com eles, a ameaça da substituição da correspondência postal por um sucedâneo que permitia a comunicação em minutos em vez de dias. Em vez de pensar em extinção, os Correios criaram, então, o serviço de fax post, levando a nova tecnologia para o grande público, que não tinha condições de possuir um aparelho transceptor de fac-símile próprio.
Na década de 90, começou a ser disseminado no Brasil o uso da internet e, de forma análoga ao que ocorreu com o fax, também se vislumbrou ali o fim do serviço postal. Novamente, os Correios viram na nova tecnologia uma oportunidade e passaram a utilizar intensivamente a internet, inclusive para prestar seus tradicionais serviços de carta e de telegrama. Nos dias atuais, mais de 400 mil dos cerca de 15 milhões de telegramas enviados anualmente chegam aos Correios pela internet, onde são processados eletronicamente e transformados em objetos impressos, para entrega aos destinatários.

Essas duas pequenas histórias nos mostram que as novas tecnologias constituem não só uma ameaça, pela efeito substituição que sempre carregam, mas também uma oportunidade, que sempre pode ser explorada para melhorar os serviços. Mostram também que algumas mudanças de hábitos de consumo não se dão de forma disruptiva, mas sim de forma progressiva.

Saber compreender isso e aproveitar as novas tecnologias na melhoria dos serviços oferecidos é o grande desafio de toda prestadora de serviços, incluindo os Correios. Importante nunca descuidar disso, como não descuidamos na época da chegada do fax e da internet.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Inovação

Poucas coisas me dão mais satisfação do que poder participar da criação de algo novo, como, por exemplo, um novo serviço da Empresa.
Felizmente, tive diversas oportunidades de integrar equipes que conceberam e lançaram novos serviços, mas isso não diminui a satisfação de ver o nascimento e os primeiros passos de uma nova criação, que chega ao mercado.
A mais recente dessas satisfações é o Correios Celular, que chegou para construir mais uma história de sucesso, a partir do esforço e da participação de milhares de colegas que lidaram com sua formulação e com sua operacionalização, incluindo a venda nas agências.
Na foto, alguns dos muitos colegas que participaram da formulação do Correios Celular, para ilustrar que, por trás de cada avanço, de cada inovação na Empresa há sempre um conjunto de pessoas que se dedica, se desdobra para vencer obstáculos, para fazer acontecer, independentemente de qualquer situação adversa que exista no horizonte. Minhas escusas aos que não estão na foto, mas que também se dedicaram ao esforço de criar o novo serviço.
Nos próximos dias, o Correios Celular chegará ao Rio de Janeiro, a Belo Horizonte e ao interior de São Paulo. Depois prosseguirá até alcançar todo o Brasil.
Mais informações sobre o serviço em http://www.correioscelular.com.br.    

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Silveira no POSTALIS

Recebi hoje a visita do colega Marcos da Matta Silveira, que é candidato à posição de Diretor de Benefícios do POSTALIS. Silveira é para mim um exemplo de esforço para se superar, aprender e crescer, além de conduta séria. Tive o privilégio de trabalhar com ele no Programa de Encomendas, onde ajudamos a criar alguns serviços e a reformular outros.

Quem busca seriedade e determinação tem no Marcos Silveira uma boa opção para a posição de Diretor de Benefícios do POSTALIS. 

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Eleições para o POSTALIS

Recebi a simpática visita do Heyder e do Maurício, em campanha para as eleições do POSTALIS. São dois colegas com os quais já trabalhei na área comercial e que sei estarem participando das eleições para o POSTALIS com o objetivo de, se eleitos, atuarem para assegurar melhores resultados e melhor gestão para nosso instituto.
O Heyder é candidato ao Conselho Deliberativo e o Maurício ao Conselho Fiscal.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Audiência na Câmara dos Deputados


Hoje de manhã (30/05), tivemos oportunidade de participar de uma audiência na Comissão Geral da Câmara dos Deputados, para tratar do tema "A Situação de Crise na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos".

Em nossa manifestação, que pode ser assistida no vídeo acima ou lida nesse link, apresentamos nossa visão sobre as causas da crise de caixa produzida na Empresa e sobre o posicionamento que entendemos adequado com relação a esse assunto.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Identidade Corporativa

Ontem (25/05) foi apresentada a nova Identidade Corporativa definida para a Empresa. Até então o assunto estava sob reserva, razão pela qual não havíamos ainda divulgado nosso voto a respeito e o estudo que apresentamos em reunião. Feita agora a divulgação, retomamos o assunto.

Na 1ª Reunião Extraordinária de 2017, ocorrida em 10/02/2017, apresentamos um estudo que pode ser visto no seguinte link . Infelizmente, o colegiado preferiu manter a proposta original oferecida pela consultoria, sem nenhum ajuste, o que nos levou a proferir o voto a seguir transcrito:

Tema: Identidade Corporativa
Voto do conselheiro Marcos César Alves Silva

Quando nos foi submetida, na 1ª reunião ordinária de 2016, a proposta de Identidade Corporativa da Empresa, pedimos a oportunidade de avalia-la e de retornar ao colegiado com nossas observações.

Assim, ao retornar hoje com o tema, esperávamos que as propostas de ajustes apresentadas, após profunda análise e reflexão, fossem apreciadas detalhadamente pelo colegiado. Infelizmente, porém, não foi o que aconteceu.

Sob o argumento, apresentado pelo Presidente da Empresa, de que a proposta já tinha sido apresentada e pesquisada junto a milhares de empregados, o Conselho optou por nem debater cada uma das sugestões elencadas e simplesmente aprovar a proposta original oferecida pela Accenture.

Diante desta decisão, só poderia votar contra a aprovação da proposta e apresentar a argumentação que me levou a tentar oferecer as sugestões de melhoria ignoradas, conforme lâminas apresentadas em reunião.

Em síntese, nossa opinião sobre a Identidade Corporativa é:

Missão
A missão proposta pela consultoria é reducionista, não transmite a amplitude de atuação proporcionada pelo atual objeto social da Empresa.

Visão
A visão proposta pela consultoria é um lugar comum, acoplável a qualquer tipo de organização. Uma simples busca na internet mostra isso.

Valores
A eliminação de alguns dos valores atuais sem uma apropriada correspondência nos novos deixou lacunas que enfraqueceram o conjunto. A retirada dos valores de compromisso com o cliente e de meritocracia são dois casos assim.

Por todas estas razões, votamos contra a aprovação da proposta e lamentamos que o trabalho desenvolvido por este conselheiro não tenha sido sequer considerado e, de certa forma, estejamos regredindo em qualidade na declaração de nossa Identidade Corporativa.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Reestruturação

Entre os temas que têm preocupado os ecetistas nas últimas semanas, temos a reestruturação da Empresa.

Especialmente os colegas que exercem posição de liderança se preocupam em saber que tipo de estrutura a Empresa passará a ter e, nessa nova conformação, como será sua possibilidade de atuação.

O fato de estarmos em meio a um processo anterior de reestruturação que não foi concluído acentua as preocupações e se soma também a um contexto mais geral de crise institucional vivida pelo Governo como um todo.

Em geral, todos gostariam de enxergar uma luz no fim do túnel, que trouxesse a conclusão dos ajustes organizacionais eventualmente necessários, mesmo que esses significassem passos atrás em algumas questões, se isso realmente fortalecesse a Empresa e permitisse que as pessoas trabalhassem de forma mais organizada e produtiva.

Nesse contexto, tenho preocupações adicionais com este assunto, não só pela posição exercida, de conselheiro, mas também porque acompanhei bem de perto o processo anterior de reestruturação, que resultou na busca de uma organização por unidades de negócios. Fui convencido pelos estudos então realizados de que o caminho adotado era o mais adequado para que a Empresa materializasse seu plano estratégico. Agora, quando se propõe uma mudança de modelo que retoma o rumo do modelo funcional, precisaria de material técnico robusto para sustentar uma decisão assim, que trará efeitos sérios para o funcionamento da Empresa e para as pessoas. Não teria, porém, nenhuma restrição a mudar de opinião, desde que essa estivesse bem fundamentada.

Infelizmente, porém, o material que nos foi oferecido não trouxe, a meu juízo, essa robustez. Pode até estar - e espero que sim - no rumo adequado, diante das mudanças de contexto do mercado havidas, mas não tem a densidade que seria de se esperar em termos de documentação formal para sustentar algo tão importante assim. Isso me impediu, hoje, de votar pela aprovação da proposta de desdobramento estrutural (modelo operacional) que foi levada à apreciação do Conselho de Administração.

Quem conhece minha história na Empresa, sabe que essa sempre foi pautada na coragem, no esforço de superação para fazer que as coisas acontecessem, sempre em prol do desenvolvimento da organização. Um voto contrário como este não é, portanto, algo trivial para mim. Não é uma decisão que tome com satisfação, mas que se tornou necessária diante de um  processo que não teve a formalidade que considero minimamente necessária para sustentar uma decisão noutro sentido.

Sobre o mérito da proposta, entendo que, embora a conformação estrutural da Empresa seja muito importante, temos a enfrentar questões de fundo que impactam nossos resultados independentemente do modelo de organização que escolhamos - unidades de negócios ou funcional. A principal dessas questões está no processo de indicação política das posições de gestão, do topo à base. Isso precisa mudar para que a Empresa, com a organização que tiver, volte a se desenvolver, a recuperar seus resultados econômicos e a qualidade dos serviços.

Com boas lideranças, o modelo organizacional que for escolhido poderá ser rapidamente otimizado, com o alinhamento dos esforços das pessoas. Se, porém, não contarmos com isso, os esforços continuarão sendo perdidos, independentemente da estrutura que desenharmos, pois cada modelo tem suas vantagens e seus defeitos, mas todos dependem de boa liderança para serem implementados.

Tomada agora a decisão de seguir com a reestruturação, torceremos para que tenhamos um desenrolar de implantação bem conduzido pelas equipes dos Correios e da consultoria contratada, sem atropelos desnecessários, sem processos abandonados pelo caminho e com a adequada comunicação com os trabalhadores, que precisam compreender os benefícios que se busca com a mudança, para se engajarem no processo.

O voto apresentado se encontra no seguinte link: Voto sobre modelo operacional  

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Demissão Motivada

Nos últimos dias, tenho recebido diversas mensagens e telefonemas de colegas, preocupados com as declarações feitas pela direção da Empresa em matérias trazidas na imprensa sobre demissão motivada.

Uma destas mensagens, recebida de colega lotado na DR/AM, que transcrevo a seguir, ilustra bem as aflições pelas quais estão passando os ecetistas.

"Prezado Conselheiro,
Tamanha é a preocupação em relação a um futuro incerto dos empregados dos Correios, que solicito vosso apoio em nos esclarecer a respeito das Demissões Motivadas, pós PDI.
Principalmente, qual é a esperança e como fica a mente de um empregado, hoje com 57 anos de idade, 35 anos de serviços prestados nos Correios, aposentado pelo INSS, mas em plena atividade vestindo a camisa dos Correios, ou seja, pagando com seu trabalho o seu custo para a Instituição, como informado, esta pessoa dedicou sua vida inteira aos Correios, e hoje está sendo tratado com severas e vergonhosas ameaças de demissão caso não faça adesão ao PDI. É notório que haverá perdas financeiras com sua saída no PDI, pois nessa dedicação exclusiva aos Correios, constituiu família, criou seus filhos, ajuda, inclusive financeiramente, pessoas de seu convívio que, apesar de buscarem, não conseguiram colocação no mercado de trabalho, e jamais imaginou que um dia seria intitulado como descartável para "enxugar a folha".
Esse terrorismo divulgado pela atual Gestão dos Correios, claramente despreparada, é verdadeira?
O senhor teria/saberia como “dar uma luz” para as pessoas que se encontram na situação acima relatada, pois a insegurança e o pânico tomaram conta do senso comum devido essas ameaças.
Outra situação divulgada é que se os elegíveis não aderirem ao PDI, serão demitidos apenas com verbas rescisórias, sem direito ao plano de saúde? ..."

Aos colegas que me indagam sobre esses temas, tenho informado o seguinte:
a) o momento de decisão de aderir ou não a um plano de demissão incentivada deveria ser de muita calma, informação e apoio, de forma que as pessoas pudessem tomar sua decisão com a segurança necessária;
b) enfatizar o tema demissão motivada durante o transcurso de um PDI é algo extemporâneo, desrespeitoso e até irresponsável;
c) não tenho outras informações sobre o assunto, ou seja, como os demais colegas apenas leio a respeito nas matérias publicadas.

Penso, ainda, que o governo deveria estar preocupado em assegurar que suas estatais fossem dirigidas por pessoas realmente muito qualificadas, que soubessem aproveitar ao máximo o quadro de trabalhadores dessas empresas, e não em ampliar a quantidade de pessoas desempregadas no Brasil. Além disso, a Empresa deveria estar muito empenhada em tentar reter de alguma forma o conhecimento acumulado pelos trabalhadores que sairão no PDI e não em acelerar a saída desses. 

Uma grande empresa como os Correios precisa tratar seus trabalhadores com respeito, não cabendo culpá-los ou penalizá-los por um desequilíbrio financeiro causado por atos de gestão adotados pelo acionista e pela direção. 

Na Serra de Santana, perto de Currais Novos

Recebo diariamente informações sobre o desligamento no PDI de colegas com os quais trabalhei na Empresa. Não encontrarei espaço aqui no blog para homenagear cada um deles e nem para expressar como sentirei sua falta. De qualquer forma, queria homenagear hoje mais um colega que se desligou no PDI, com o qual pude dividir diversas boas realizações. E a homenagem se dará pelo relato de algumas dessas realizações.

João Vianey de Farias é um paraibano determinado, que venceu na vida por seu trabalho, por sua dedicação e persistência. Poderia ter ficado lá pelo sertão paraibano, mas acabou passando uma boa parte de sua vida em Natal, onde o conheci.

Cheguei a Natal, em 1.993, para assumir a Gerência Comercial, a convite de José Luís Borges Silveira, um líder que muito admiro por inúmeras qualidades, incluindo o fato de que nunca se preocupou com sombras, ou seja, sempre estimulou sua equipe a crescer em suas carreiras. Na Gerência Comercial, recebi a desafiadora missão de substituir um gerente anterior extremamente competente e muito respeitado e querido na regional - Antônio de Paula Braquehais, que fora promovido e transferido para Recife. Nesse cenário desafiador, João Vianey foi meu braço direito e me ensinou muito.

A capacidade de João Vianey de persistir, de ouvir os clientes e de construir soluções me mostrou que a postura proativa de um vendedor faz enorme diferença, independentemente de onde esteja atuando.

Com o apoio de Vianey e da equipe constituída por outros colegas valorosos, como o Itanagilson, a Naldaci e a Geise (certamente peco por esquecer de mencionar outros que mereceriam também ser citados), fizemos muita coisa interessante, como, por exemplo, montar a primeira agência bancária dos Correios, a qual nem mesmo selos possuía em estoque e nem recebia postagens, prestar serviço de correio híbrido (com o apoio indispensável da Ceres e do Lage, aqui em Brasília) e lançar o primeiro serviço dos Correios prestado na internet, que foi a renovação de carteiras de motoristas no âmbito do RN. Tudo isso nos idos de 1994/1995, quando a internet ainda era discada e rara, a impressão a laser de grandes volumes uma novidade e o banco postal apenas o sonho de alguns.

A obstinação e o otimismo de Vianey foram decisivos naquela época. Aprendi com ele que os limites podem ser sempre empurrados mais um pouco para a frente, em busca de melhores resultados para os clientes e para a Empresa.

E, para que não haja dúvidas, todos esses serviços inovadores mencionados eram extremamente lucrativos para a Empresa, além de a posicionarem na vanguarda das soluções oferecidas aos clientes.

Felizmente, a Empresa tem muitos Vianeys lutando diariamente para "tirar leite de pedra", com a certeza de que o tijolinho que acrescentarão fará diferença ao final nos resultados da Empresa.

Para o João Vianey da Paraíba (e Rio Grande do Norte), meus sinceros agradecimentos por tudo que me ensinou e pelo apoio recebido. Que tenha uma nova etapa de vida muito feliz na Serra de Santana, perto de Currais Novos. Ele bem merece!     

Matéria da revista Exame

Sob o título "Enquanto outras estatais se recuperam, Correios ficam para trás", o site da revista Exame publicou matéria de Flávia Furlan, em 17/05/2017, a qual pode ser lida a seguir ou no link - REVISTA EXAME.

Enquanto outras estatais se recuperam, Correios ficam para trás

Os Correios caminham para o quinto ano de prejuízo. Ali, nada mudou no velho jeito brasileiro de gerir uma empresa pública

Por Flávia Furlan - 17 maio 2017, 18h55 - Atualizado em 17 maio 2017, 18h57

Operação dos Correios

Operação dos correios: na cúpula da empresa predominam os indicados políticos (Lia Lubambo/EXAME.com)

São Paulo — Passado um ano de governo de Michel Temer, é inegável que houve avanços na economia: a inflação recuou para a meta do Banco Central, a taxa de juro está caindo e a recessão começa a ceder. Entra na mesma lista a reversão do quadro problemático em que se encontravam as principais empresas estatais federais. A reviravolta mais notável é a da Petrobras. Eletrobras, Banco do Brasil e BNDES também passam por reorientações conduzidas por profissionais respeitados. Em todos esses casos, o que se vê é uma sintonia com o comando econômico do governo. Mas há uma exceção no plano das grandes estatais: a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Mais conhecida como Correios, ela enfrenta a pior crise financeira de sua história recente. Se não houver uma melhora sensível na situação, 2017 será o quinto ano seguido de prejuízo — mesmo com os Correios tendo o monopólio do mercado em boa parte dos serviços que presta. No primeiro bimestre, a empresa perdeu estimados 500 milhões de reais. Desde 2013, o prejuízo acumulado é da ordem de 4,4 bilhões. O problema, porém, não é só de balanço. Mais preocupante ainda é o fato de a empresa ser gerida no velho esquema em que o interesse político fala mais alto — sem contar os escândalos de corrupção que rondam sua gestão.

O presidente dos Correios costuma ser escolhido pelo ministro das Comunicações, pasta à qual a empresa está vinculada. Quando Paulo Bernardo e Ricardo Berzoini, ambos do PT, estavam nas Comunicações, de 2011 a 2015, o escolhido foi o sindicalista Wagner Oliveira. Segundo a central sindical Conlutas, desde 2003 ingressaram nos quadros da companhia cerca de 700 sindicalistas, e 16 das 28 diretorias regionais eram comandadas por filiados ao PT. Já na gestão de André Figueiredo, ministro das Comunicações pelo PDT de outubro de 2015 a maio de 2016, o presidente dos Correios foi Giovanni Queiroz, do mesmo partido. O atual presidente, Guilherme Campos, ex-deputado federal (DEM-SP), era presidente do PSD, partido do ministro das Comunicações de Temer, Gilberto Kassab. Campos foi nomeado por Kassab 21 dias antes da aprovação da Lei das Estatais, que impede que pessoas que participaram da diretoria de partidos políticos ou da organização de campanhas eleitorais nos 36 meses anteriores à indicação assumam a direção de estatais. “Numa empresa pública, quem está no exercício do poder tem o direito de fazer a indicação de quem acha mais capacitado”, diz Campos. “Vamos acabar com as indicações? Vamos privatizar a empresa, então.”

O aparelhamento se espalha por outros cargos. As oito vice-presidências dos Correios estão ocupadas por apadrinhados de PDT, PSD, PTB e PMDB. Veja o caso de Darlene Pereira, vice-presidente de Encomendas. Ela é irmã do senador Telmário Mota (PTB-RR), que ficou conhecido ao mudar de última hora o voto a favor do impedimento da presidente Dilma. Segundo o senador, ele não influenciou a escolha e a irmã tem currículo para o cargo — administradora, ela antes era auditora na estatal CEB, distribuidora de energia de Brasília. Não é a opinião da Associação dos Profissionais dos Correios, que em outubro ajuizou uma ação pedindo a saída de seis vice-presidentes por não atenderem à Lei das Estatais, entre eles Darlene. A empresa recorreu, o afastamento foi revertido em 48 horas e, posteriormente, comissões técnicas nos Correios e no ministério mantiveram os executivos. “Algumas avaliações para aprovar a diretoria foram generosas demais”, diz Marcos César Silva, representante dos trabalhadores no conselho de administração dos Correios que votou contra os candidatos. A ação civil da associação aguarda julgamento. Enquanto isso, os vice-presidentes puderam voltar à rotina e escolher dois assessores especiais cada um. A posição já foi considerada inconstitucional pela Justiça do Trabalho. Os Correios só poderão mantê-los até 2018 por força de um termo de compromisso firmado com o Ministério Público do Trabalho.

Na tentativa de resolver a situação financeira, a atual diretoria dos Correios adotou um plano de corte de gastos. A meta é fechar até 350 das 6.470 agências postais e cortar o quadro de 117.400 funcionários da maior empregadora do país. Um plano de demissão incentivada, criado no ano passado, teve a adesão de 5.500 servidores — abaixo dos 8.000 esperados e, por isso, um novo plano pode ser lançado. “Com essas medidas, o resultado deste ano não será positivo, mas acredito que haverá melhora sobre 2016”, diz Fernando Antonio Ribeiro Soares, conselheiro dos Correios e secretário de Coordenação das Estatais no Ministério do Planejamento. É um ritmo mais demorado do que o de outras estatais. De 2015 para 2016, a Eletrobras reverteu seu prejuízo em lucro e a Petrobras reduziu as perdas — no primeiro trimestre deste ano, voltou a ter lucro.

Algumas decisões de negócio têm causado estranheza. No fim de 2016, por exemplo, os Correios decidiram suspender o e-Sedex, serviço de entrega oferecido para o comércio eletrônico. A justificativa era que ele dava prejuízo — EXAME pediu o valor, mas a empresa não revelou, com a justificativa de ser essa uma informação estratégica. A Associação Brasileira de Franquias Postais obteve na Justiça, em dezembro, uma liminar para suas associadas continuarem a oferecer o produto. Em média, um terço da receita das 1.002 franquias dos Correios provém do e-Sedex. “O comércio eletrônico é um dos principais setores de expansão para as encomendas e descontinuar um produto dessa maneira, sem uma alternativa, é um erro gravíssimo de estratégia”, diz um ex-diretor dos Correios que preferiu não ser identificado.

Sob suspeita

Com pouca transparência, influência política e má gestão, os Correios têm sido um dos palcos preferenciais da corrupção. No primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, a descoberta de pagamento de propina em licitações dos Correios acabou por revelar o mensalão, um grande esquema de compra de votos de partidos da base governista. Já no governo Dilma Rousseff estourou o rombo no fundo de pensão Postalis, dos funcionários dos Correios. O fundo teve prejuízo estimado em 3 bilhões de reais por investimentos malsucedidos em títulos de bancos que quebraram, em empresas-fantasma ou em recuperação judicial. O Postalis tem sido forçado a pedir contribuições adicionais dos segurados, que já devem chegar a 20% do valor da aposentadoria. Agora, a encrenca está na gestora do plano de saúde dos empregados. A Postal Saúde foi criada em 2013 para reduzir os custos, mas eles cresceram 44% desde então, para 1,7 bilhão de reais no ano passado. O plano beneficia 400 000 pessoas, permite que pais de funcionários sejam incluídos como dependentes, algo raro no mercado de planos de saúde, e é 93% custeado pela empresa. Um relatório da Controladoria-Geral da União mostra que havia ali abusos como a emissão de guias de exames médicos para beneficiários falecidos. Segundo EXAME apurou, o Ministério Público de São Paulo investiga, no âmbito da Operação Lava-Jato, a Postal Saúde num contrato de 2014. Uma empresa contratada para fazer exames médicos anuais nos funcionários teria repassado propina a executivos dos Correios e da Postal Saúde que permitiram que o negócio fosse realizado. O destino seria quitar despesas do PT.

Como se tudo isso não bastasse, no primeiro mandato de Dilma, o caixa dos Correios foi esvaziado para contribuir com o resultado primário federal, numa época em que o governo torrava dinheiro para estimular a economia e usava a contabilidade criativa para fechar no azul. Quase 3 bilhões de reais em dividendos foram retirados dos Correios pela União de 2011 a 2013. Além disso, na tentativa de controlar a inflação, o governo congelou o preço dos serviços monopolizados, como os de cartas e cartões-postais, que representam metade das receitas da estatal — assim, houve perda de 1,2 bilhão em faturamento de 2012 a 2014. Enquanto isso, as despesas cresceram em ritmo superior ao das receitas. “Houve um problema de gestão: os diretores deveriam resguardar a empresa frente ao acionista, mas não foi o que ocorreu”, diz Daniel Gontijo Motta, coordenador-geral de auditoria de estatais da Controladoria-Geral da União. “Um corpo técnico e um conselho independente ajudariam para que isso não acontecesse.”

Diante de todos esses problemas, as saídas imaginadas seriam a quebra do monopólio e a privatização. O próprio governo já tocou no assunto, mais como uma ameaça do que como um plano de ação. Parte dos países desenvolvidos já passou por esse processo, como a União Europeia, desde meados dos anos 90. Nos 192 países que formam a União Postal Universal, 56 já quebraram o monopólio, 18 têm uma estatal de capital misto ou um mercado totalmente privado. Nos países que ainda não fizeram esse movimento, a discussão se dá porque as estatais não têm conseguido ser eficientes e estão com os balanços pressionados. No Brasil, de 2000 a 2016, os Correios só tiveram lucro com o serviço postal em cinco anos. Nos Estados Unidos, a empresa estatal também tem monopólio de parte dos negócios e está numa sequência de dez anos de prejuízos, que já somam 62 bilhões de dólares. Quem é contra a privatização diz que o setor privado não iria querer atuar em áreas afastadas, poucos rentáveis. Países europeus resolveram isso criando um fundo que compensa as perdas nessas regiões. “A abertura gradual do mercado postal traz mais competição e mais inovação”, diz Tadeu Gomes Teixeira, professor de administração na Universidade Federal do Maranhão que acaba de lançar um livro sobre os Correios. “Eu sou favorável ao Brasil trilhar esse caminho.” A alternativa é continuar a conviver com o atraso.

(http://exame.abril.com.br/revista-exame/enquanto-outras-estatais-se-recuperam-correios-ficam-para-tras/)

terça-feira, 16 de maio de 2017

Pensando no comércio eletrônico

Nos últimos dias, tenho lido muito a respeito do tema "comércio eletrônico", em função de trabalho confiado a um grupo de técnicos que integro. 

Depois de muitos anos acompanhando o tema numa perspectiva bem geral, tenho podido me aprofundar no assunto, como se fosse um empreendedor buscando informações desde as mais básicas para estabelecer seu comércio eletrônico. 

Na etapa em que estou nestes estudos - bem mais perto do início que do final - confesso-me já surpreendido por algumas constatações que comentarei sinteticamente nesta postagem. 

Uma primeira constatação refere-se ao farto material em português disponível para quem quiser montar sua loja virtual. Textos muito bem produzidos por especialistas, vídeos sobre os mais variados assuntos relacionados às operações de comércio eletrônico, cases comentados, enfim tudo o que um novato em e-commerce pode precisar está fartamente oferecido na internet, à disposição de quem se dispuser a pesquisar. No site do SEBRAE, por exemplo, o interessado encontra rico material sobre o tema, mas há muito mais disponível livremente.

Nesse manancial de informações sobre e-commerce, o empreendedor encontra ferramentas praticamente prontas e acessíveis para montar sua loja com alguns cliques. Pode, inclusive, começar sem gastar nada, com alternativas que oferecem uma opção mais enxuta sem nenhuma cobrança. E mesmo as operações que há alguns anos complicavam a vida dos lojistas tradicionais, como controle de estoque, cadastro de clientes, contas a pagar e a receber, entre outras, estão hoje integrados em ERPs populares cuja mensalidade cabe no bolso de qualquer pequeno empresário. 

Outra questão que avançou muito ultimamente foi a integração com os marketplaces, o que permite que pequenos lojistas tenham seus produtos expostos e comercializados automaticamente em locais de alto fluxo de visitas, como o Mercado Livre, o Walmart ou o Submarino, entre outros. A integração com os marketplaces já é oferecida nativamente em algumas soluções de lojas virtuais e ERPs. De forma análoga, essas soluções já trazem integrados os diversos gateways e intermediadores de pagamento, como PayPal, Mercado Pago, PagSeguro etc. 

E as soluções logísticas também se fazem presentes, especialmente com a integração aos serviços e às soluções de encomendas dos Correios. Serviços como PAC, SEDEX e SIGEP WEB fazem parte de praticamente todas as soluções de lojas virtuais e ERPs para e-commerce oferecidas no mercado brasileiro. 

A percepção dessa importância dos serviços dos Correios para o comércio eletrônico só reforça a responsabilidade da Empresa, como líder inconteste de mercado, em continuar evoluindo e melhorando seus serviços, em trabalhar de forma integrada e colaborativa com os demais provedores de serviços de apoio ao e-commerce e em facilitar cada vez mais a vida do empreendedor, que tem nos Correios um parceiro indispensável.

sábado, 13 de maio de 2017

A despedida de um mestre



Fui convidado pelo José Maria dos Santos Silva para sua despedida. Como vários outros colegas, o José Maria aderiu ao PDI e se retirou da Empresa no dia 12.

A emocionante despedida do José Maria, com inúmeros depoimentos dos colegas que com ele trabalharam, mostrou o quanto ele foi importante para esses colegas, com os quais dividiu generosamente conhecimentos e experiências, ao longo de toda sua carreira nos Correios. Uma das manifestações - da colega Valéria - que foi lida na ocasião e é transcrita a seguir ilustra o sentimento que esteve presente no evento.

Ao José Maria e aos demais colegas que estão se retirando da Empresa no PDI, nossos agradecimentos pelo que fizeram pela Empresa e por seus colegas.

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Meu amigo José Maria

Não tive a oportunidade de trabalhar muito tempo com você, mas o pouco tempo que tive da sua companhia como colega de trabalho já é o suficiente para me mostrar qual especial você é.

Sempre disponível e solícito para compartilhar experiências, informações, para ensinar. São qualidades importantes e necessárias para uma boa convivência no ambiente de trabalho.

Como sua colega de trabalho, digo que é uma perda muito grande não ter mais você conosco. A ECT está perdendo um grande profissional.

Como sua amiga, digo que você cumpriu com excelência sua jornada, e que merecidamente você iniciará outra fase; a da colheita dos bons frutos que você plantou.

Como Salomão disse em Eclesiastes: Há tempo para todas as coisas debaixo do sol...

Me fez lembrar uma história que li a algum tempo atrás:

Estava maltratado e amassado, e o leiloeiro,
Pensou que quase nem valia pena,
Perder tanto tempo com o velho violino,
Porém, segurou-o com um sorriso.
“Quanto me oferecem, meus amigos?” – Falou
“Quem dará o primeiro lance?"
"Um dólar, um dólar e meio, e então, dois! Apenas dois?
Três dólares, dou-lhe uma, três dólares, dou-lhe duas;
Dou-lhe três...” Mas não, 
Do Salão, lá no fundo, um homem grisalho
Veio à frente e tomou o arco;
Então, tirando a poeira do velho violino 
E, afinando as cordas frouxas,
Tocou uma doce e pura melodia
Como canta um Anjo que gorjeia.
Cessa a música, e o leiloeiro,
Em voz suave e calma,
Diz “O que me oferecem pelo velho violino?
E segurando-o no ato juntamente com o arco.
“Mil dólares, e quem oferecerá dois?
Dois mil, alguém dá três?
Três mil, dou-lhe uma, três mil, dou-lhe duas
Dou-lhe três, vendido”, diz ele.
As pessoas aplaudem, mas algumas gritam
“Não compreendemos nada
O que alterou seu valor?"
A resposta vem imediatamente:
O toque da mão de um mestre.

E muitas vezes um homem com a vida fora do tom
É judiado e marcado pelo destino
É vendido barato para a multidão descuidada
Assim como o velho violino.
Um prato de sopa, um cálice de vinho;
Um jogo – ele segue viajando,
Vai uma e vão duas
Vai a terceira e foi
Mas, vem o mestre e a tola multidão
Nunca compreende
O valor das pessoas e a mudança operada
Pelo toque do mestre.

Mestre José Maria:

Vi muitas vezes, como mestre, você dando esse toque diferenciado em seus conselhos.

Devemos reconhecer e valorizar sempre o valor do conhecimento, da experiência e da sua dedicação para esta Empresa.

Novos ciclos se iniciam, hoje alunos, amanhã mestres!

Como sua amiga, digo que nossa vida é constituída de fases e que você cumpriu brilhantemente esta fase “Correios” e que, merecidamente, entrará na fase de “colheita”. Com certeza sua família desfrutará mais de sua presença, e você colherá os bons frutos que você plantou ao longo desta jornada.

Meu amigo, Deus te abençoe sempre, que você possa desfrutar deste período com muita saúde, alegria e sabedoria.

Um abraço. 

Valéria

12/05/2017