segunda-feira, 24 de abril de 2017

O charme da comunicação em papel

Em 1996, com a aceleração da chegada da internet aos lares e empresas brasileiras, muitos indagavam o que seria dos Correios, já que o e-mail se apresentava como um sucedâneo bem mais conveniente e econômico. Antes disso, na década de 1980, a mesma coisa acontecera, quando da chegada do FAX.

A resposta dos Correios veio rápido - em vez de se colocar contra a nova tecnologia que chegava, a Empresa buscou agregar valor a seus serviços, incorporando a novidade. Nasceram assim, já em 1997, a carta e e telegrama via internet. Os correios brasileiros foram o primeiro do mundo a levar o telegrama para a internet e o segundo a fazer isso com a carta (por uma semana de diferença do pioneiro, que foi o correio do Uruguai). 

Além disso, os Correios continuaram investindo em melhorias de seus serviços, diversificaram seu portfólio de serviços de carta voltados a empresas, aprimoraram os serviços de mala direta e desenvolveram serviços híbridos, de forma que a comunicação em papel continuou bem relevante ao longo de todos esses anos.

Mesmo a falsa alegação de que a correspondência em papel significava a destruição de florestas não esmoreceu a utilização da comunicação impressa, muito mais conveniente para um grande número de clientes. Na verdade, o processo de reflorestamento não só gera empregos mas é também benéfico para o meio ambiente, como pode ser facilmente constatado lendo a respeito.

A utilização da comunicação em papel diminuirá com o tempo? Sim, isso ocorrerá no Brasil, como já vem acontecendo em várias partes do mundo. Mas não se trata em absoluto de algo que vá tornar obsoletos de um dia para o outro os serviços baseados na comunicação em papel. Pelo contrário, em algumas situações, tais serviços terão até um diferencial importante a ser explorado, notadamente no que se refere ao marketing direto. O contato táctil e visual com uma peça bem impressa em papel tem seu apelo e seu charme, os quais continuarão agradando a muitos por um bom tempo.

E a pesquisa abaixo transcrita mostra como mesmo os millennials vêm com simpatia a mala direta.

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Pesquisa: mala direta ainda é um fantástico canal de engajamento



Se você achava que a tecnologia digital matou completamente a boa e velha mala direta, pense de novo. Pelo contrário, as novas tecnologias estão permitindo que o uso cada vez mais inteligente dos dados crie ações e campanhas mais precisas, mais personalizadas, mais eficientes e mais relevantes. Durante o Engagement Marketing Executive Symposium, da Ricoh, realizado em Boulder, Colorado, no final do ano passado, Jeff Hayes, diretor da consultoria InfoTrends, compartilhou os dados oleados em uma pesquisa sobre uso de mala direta pelos consumidores. O estudo ofereceu prova positiva de que os millennials - surpresa! -- gostam dos impressos. 23% dos entrevistados preferem receber e-mails sobre uma oferta, mas 33% disseram preferir uma mala direta - na faixa entre 18-24 anos, os números foram 36% e 38% respectivamente. O interesse dos millennials por malas diretas foram também evidentes em outra questão: "o que é mais eficaz para fazer você tomar uma decisão?” 28% apontaram mala direta, 20% e-mail - millennials: 30% mala direta, 24% e-mail. Fonte: Direct Marketing News
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A comunicação em papel tem, portanto, sua importância e sua relevância para os clientes, as quais devem ser valorizadas pelos integrantes dessa indústria, entre os quais estão os diversos correios do mundo, que transportam e entregam milhões de objetos diariamente. 

sábado, 22 de abril de 2017

Serviço Público Profissional Já!

Em artigo na revista Veja desta semana (edição 2527), Maílson da Nóbrega trata novamente da importância da profissionalização do serviço público, um tema que tem merecido cada vez mais atenção no país.

Regras impessoais para escolha de dirigentes vão se mostrando indispensáveis para o governo como um todo e para as estatais em especial.

Vale a pena a leitura!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Das causas da crise à solução

A pressão decorrente dos balanços negativos dos Correios tem levado autoridades e executivos da organização a formularem abordagens com as quais não concordamos, para explicar a "crise" por que passa a Empresa. Nesta postagem, trataremos de algumas dessas abordagens e apresentaremos nossa opinião a respeito.

- Monopólio e seus efeitos - A primeira afirmação falaciosa, largamente utilizada em discursos, menciona que os serviços monopolizados vêm tendo queda acentuada. Bastaria, porém, que se observasse um simples gráfico correlacionando as receitas de serviços monopolizados com o PIB nos últimos anos para ver que essa "acentuada queda" ainda não aconteceu no Brasil. Ao trazer o tema da forma como tem ocorrido, de forma inconsequente, essas pessoas passam para o mercado uma falsa impressão de acentuada queda de negócios, levando clientes a se preocuparem desnecessariamente. Exemplo disso foi a recente decisão do MEC de anunciar que buscava uma alternativa "B" para sua operação com o ENEM "devido aos problemas enfrentados pelos Correios", algo bem inusitado já que o MEC e os Correios desenvolvem com sucesso há anos a maior operação logística do mundo, que é a distribuição de livros didáticos no país. Mas quando lideranças da Empresa propagam notícias negativas e apregoam que a organização vai muito mal, os clientes acabam acreditando nisso e a profecia pode, aos poucos, se auto-realizar.

- Prejuízos contábeis - Os prejuízos contábeis são atribuídos a vários fatores, sendo o preferido deles o custo do plano de saúde. Ao fazer isso, não se menciona que os benefícios do plano de saúde são os mesmos na Empresa há vários anos; o que mudou foi apenas a criação de uma entidade para gerir esse plano, com a promessa de reduzir custos, o que nunca se confirmou. Não se menciona que desde o início e até o momento presente, cargos foram ali distribuídos entre apadrinhados políticos dos diversos partidos que passaram pela direção da Empresa, como PT, PDT e PSD, não só onerando desnecessariamente a folha de pagamento, mas também desprofissionalizando a operação. A pergunta óbvia é por que essa entidade ainda existe? Ou ainda por que continuam colocando apadrinhados políticos em vez de profissionalizar a gestão da empresa, de cima em baixo?
Ao focar o custo do plano de saúde da Empresa, como irresponsavelmente vêm fazendo, os dirigentes deixam de abordar as causas mais determinantes desses prejuízos ou então as relegam a segundo plano, induzindo os menos avisados a erro de avaliação.
Ao tratar de prejuízos, seria fundamental que se mencionasse, inicialmente, que as mudanças contábeis impostas pela alteração de legislação relacionada ao pós-emprego trouxeram um impacto significativo para muitas empresas com grandes quadros de trabalhadores, o qual, no caso dos Correios, supera, em mais de 50%, o maior lucro já registrado na história da organização. É isso mesmo! O impacto dos provisionamentos e contabilizações do pós-emprego nos Correios supera anualmente a cifra de R$ 1,5 bilhão, quando o maior lucro já registrado esteve na ordem de R$ 1 bilhão.
Sozinha, portanto, essa mudança contábil já explicaria a inversão de resultados dos Correios, de positivo para negativo. Sem entrar no mérito da necessidade ou da importância desse ajuste contábil para dar mais assertividade às demonstrações, é, porém, absolutamente necessário que seja percebida como a maior causa da inflexão havida nos resultados dos Correios, a partir de 2014. 
Mas há outras causas relevantes a considerar após essa.
A descapitalização decorrente de retiradas excessivas de dividendos é outra causa relevante, porque impactou sensivelmente os resultados de aplicações financeiras que a organização vinha auferindo, os quais complementavam os resultados gerais. Perto de R$ 4 bilhões aplicados no mercado financeiro atenuariam bastante a situação atual. E foi isso que o Governo Federal retirou dos Correios além dos 25% mínimos previstos em lei - entre 2000 e 2012, foram recolhidos da Empresa R$ 8,8 bilhões de dividendos, em valores atualizados.
O represamento tarifário por dois anos, desnecessariamente promovido nos Correios por decisão do Ministério da Fazenda, completa o quadro. Reduziu em cerca de R$ 800 milhões as receitas da Empresa.
Somadas essas três causas, se chega a boa parte do déficit hoje registrado nos Correios.
Uma abordagem realista e honesta da situação deveria, portanto, passar primeiramente por essas causas, explicando as razões e os impactos de cada uma delas no resultado final. E passaria também por esclarecer porque tais causas não são enfrentadas diretamente, ou seja, por que o Governo Federal não pode capitalizar em nada os Correios, restituindo à organização pelo menos parte do que levou além do previsto em lei? Haveria, por acaso, uma intenção pré-definida do Governo Federal de abrir capital ou privatizar a Empresa escondida por trás do discurso de "tudo vai mal"?  

Solução - Dizem, popularmente, que uma nova direção que não sabe o que fazer contrata uma consultoria e reestrutura a empresa, pois dá assim a impressão de estar trabalhando. Não concordo integralmente com este dito, mas penso que os desafios da Empresa vão muito além de fazer isso. E o primeiro e grande desafio é mesmo buscar o equilíbrio econômico-financeiro, sem artifícios e  reconhecendo claramente as causas que nos levaram a esse desequilíbrio. Ou seja, não há que se falar em queda acentuada de negócios de monopólio, porque isso não aconteceu, nem em passar a ideia de que a situação foi criada por inviabilidade do plano de saúde existente, porque isso também não é verdade, e menos ainda que a solução terá que vir pela demissão de trabalhadores ou pelo fechamento em larga escala de agências, porque não precisa ser assim. Também não há que se falar em privatização, porque a sociedade não demanda isso, mas sim um serviço postal de qualidade, com preços acessíveis.
A solução passa simplesmente pela profissionalização da gestão, por ter no comando da organização e nos postos de chefia em todos os níveis pessoas com o perfil, as qualificações e o desempenho adequados, algo já previsto até em lei e que começa a ser adotado em outras empresas, como a Petrobras e a Embrapa.
Uma gestão competente saberia valorizar os inúmeros atributos positivos da organização e não lançaria dúvidas sobre eles. Saberia aproveitar integralmente os trabalhadores concursados, enfrentaria os desafios com eles e jamais cogitaria demiti-los "para aliviar o caixa". Trataria a rede de agências como um ativo importante, a ser permanentemente aperfeiçoado e rentabilizado, e não como algo a ser simplesmente desmontado, sob a alegação de que o serviço postal é desnecessário naquela região ou ainda que uma operação terceirizada é melhor. Adotaria medidas efetivas para buscar a alavancagem dos negócios, o aumento de receitas e o resgate da qualidade operacional. Tomaria decisões com visão técnica de médio e longo prazos, sem atropelos, sem interferências de razões políticas, mas também sem descuidar das situações mais emergentes. E, com o engajamento da força de trabalho, recolocaria rapidamente a Empresa no patamar de excelência de serviços em que já esteve, sem sobressaltos. 
É simples!

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Partido político continua a nomear diretor de estatal

A nomeação de dirigentes a partir de indicações de partidos políticas continua acontecendo no país, apesar de a Lei nº 13.303/16 prever o contrário.

A matéria do Jornal Valor , que contém manifestação nossa sobre o tema, pode ser lida no link a seguir.
http://www.valor.com.br/politica/4929074/lei-nao-altera-o-loteamento-politico-de-estatais

quarta-feira, 5 de abril de 2017


Entre 06 e 10/04/2017 estarão sendo realizadas as prévias da ADCAP para escolha dos candidatos a serem apoiados pela associação nas eleições do POSTALIS para Diretor de Benefícios e Conselheiros do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal.
É importante que os associados participem, elegendo os colegas com maior representatividade para serem apoiados no pleito que se seguirá.
A votação poderá ser feita a partir de link na página da associação - www.adcap.org.br .

Carta do Conselheiro - 04 de abril de 2017

Encaminhamos aos ecetistas Carta do Conselheiro, com informações sobre a reunião extraordinária do conselho de administração de 04/04/2017, na qual foi tratada a revisão do modelo operacional dos Correios.

Atas de reuniões do Conselho de Administração

Foram publicadas no website dos Correios as atas da 2ª e da 3ª reunião ordinária e da 2ª reunião extraordinária do Conselho de Administração dos Correios em 2017. As atas podem ser lidas no seguinte link (selecionar reunião ordinária ou extraordinária do conselho de administração e, depois, a reunião desejada, no ano de 2017)

A ata da 2ª reunião ordinária contém, em anexo, nosso voto a respeito de Termo de Confidencialidade e a ata da 2ª reunião extraordinária contém, em anexo, nosso voto sobre a elegibilidade de vice-presidentes.

A leitura das atas complementa nossos informativos, enviados aos colegas nas datas de cada reunião. 

sábado, 1 de abril de 2017

Reunião ordinária de 31/03/2017

Enviamos aos colegas informativo sobre a reunião ordinária do conselho de administração ocorrida no dia 31/03/2017.

Para visualizar a mensagem enviada, clique no LINK.

terça-feira, 28 de março de 2017

Privatização x Profissionalização de Gestão

Temos ouvido de algumas lideranças que a única forma de não se ter políticos ou indicados políticos na gestão de estatais é a privatização. Nesta postagem, debateremos essa ideia.
A criação de estatais não aconteceu - ou não deveria ter acontecido - para abrigar políticos ou seus apadrinhados. Uma estatal só se justifica por relevante interesse público ou por imperativo de segurança nacional.
Assim, quando o governo toma a decisão de criar ou manter uma estatal, reconhece essa motivação de existência da entidade, que precisará ser gerida com a melhor técnica.
Se as normas e leis forem devidamente cumpridas e se o Ministério responsável atuar adequadamente, pensando na sustentabilidade da estatal, colocará em sua direção pessoas devidamente habilitadas e capacitadas. Quem melhor poderia dirigir uma estatal, por exemplo, do que executivos bem formados e experientes de seu quadro próprio que se destacaram ao longo de suas sólidas carreiras? Ou então executivos já testados, com sucesso, em companhias de porte similar? Pois bem, é isso que prevê a Lei.
Há inúmeros casos de governos que possuem estatais muito bem geridas por pessoal devidamente formado e experiente. Por que então isso seria impossível no Brasil?
O que precisa ser varrido da história brasileira é o patrimonialismo com que os partidos tratam suas estatais, ao assumir um Ministério. A estatal não pode ser um cabide de empregos para membros do partido ou para seus indicados, familiares etc. Isso não só não é ético, mas também acaba por destruir os valores da própria estatal se não for contido.
A profissionalização da gestão é um imperativo no governo como um todo e nas estatais em especial, devido à atuação empresarial que essas companhias exercem. O acionista não pode relevar isso, simplesmente aceitando que o Ministro de uma pasta nomeie quem bem entender para a direção de suas estatais, pois as consequências virão para a sociedade e para os trabalhadores. A Lei precisa ser cumprida à risca e até ser agravada no caso de grandes estatais, para as quais, por exemplo, a mera experiência em DAS-4 na administração direta jamais deveria ser considerada como suficiente para qualificar um dirigente, como traz a Lei nº 13.303/2016. Grandes estatais precisam de muito mais que isso.
As estatais não precisam, portanto, serem privatizadas para estarem livres da interferência política. Basta que se cumpra rigorosamente a Lei, colocando em sua direção pessoas realmente preparadas para o grande desafio que encontrarão pela frente. Não adianta colocar na condução de grandes transatlânticos pessoas que chegarão procurando por remos. Isso não vai funcionar bem. 
Enfim, se a estatal é necessária, basta profissionalizar a gestão, que os resultados seguramente virão.

sexta-feira, 24 de março de 2017

A profissionalização da gestão é a solução!

Como muitos brasileiros preocupados com os descalabros cometidos na escolha de dirigentes de estatais, fiquei muito satisfeito quando o Presidente Temer sancionou a Lei nº 13.303/2016, que, enfim, estabelecia alguns critérios mínimos para o preenchimento dos cargos em conselhos e diretorias de estatais.

Minha preocupação com o tema decorria da experiência de ver más escolhas de dirigentes dos Correios, por interferência política, terem deteriorado os processos e os resultados da Empresa nos últimos anos. Vi na nova Lei, que acompanhei ainda como projeto (PLS-555), desde suas discussões no Senado, uma esperança de que tivéssemos nos Correios um processo moralizador, a partir do qual finalmente contaríamos com uma direção qualificada, escolhida a partir de princípios meritocráticos e cumprindo rigorosamente os critérios estabelecidos.

Infelizmente, porém, não foi o que aconteceu. A ingerência política continuou prevalecendo e mesmo os critérios mínimos estabelecidos foram abertamente ignorados. Centenas de profissionais de carreira plenamente habilitados para o exercício dos cargos de direção foram ignorados, em detrimento de ungidos que sequer possuíam as qualificações mínimas estabelecidas. Friso – mínimas, porquanto a Lei foi bastante comedida ao estabelecer, por exemplo, os prazos de experiência. Convenhamos que o simples exercício de uma função de DAS-4 na administração direta pode até qualificar um dirigente para uma pequena estatal, mas nunca para uma organização do porte dos Correios.

E, mesmo com requisitos tão baixos, tivemos nos Correios a indicação de pessoas para os cargos de direção que não os atendiam.

Considero o assunto gravíssimo, posto que é exatamente a baixa qualidade da gestão superior que tem prejudicado os resultados e o desenvolvimento da Empresa. Não tratamos aqui, portanto, de um detalhe da gestão, mas sim do principal fator determinante do quadro aqui instalado, algo que merece especial atenção.

Entendo também que, quando uma Lei estabelece critérios mínimos de acesso, como é o caso da Lei nº 13.303/2016, esses têm que ser cumpridos à risca e esse cumprimento tem que estar plenamente demonstrado, de forma transparente e direta, sem interpretações criativas, analogias ou outros mecanismos de aproximação. Não pode haver nenhuma dúvida a respeito do cumprimento dos requisitos.

No caso dos Correios, em função de ação civil pública que suspendeu liminarmente o exercício dos cargos de seis vice-presidentes (liminar suspensa por força de recurso da Empresa acolhido com efeito suspensivo), esse tema é ainda mais relevante.

Além do pleno atendimento aos requisitos de elegibilidade previstos em Lei, é ainda importante considerar que uma empresa estatal de grande porte, como é o caso dos Correios, precisa ter o processo de indicação de dirigentes blindado contra influências e ingerências políticas. Não é possível admitir, por exemplo, que grupos de interesse, como grandes fornecedores ou franqueados, tenham a possibilidade de indicar dirigentes por meio de influência política, capturando a administração em prol dos seus interesses, ou ainda que as indicações sejam simplesmente loteadas entre partidos políticos. Também não é aceitável que pessoas sem qualquer experiência destacada nas áreas de atuação da Empresa venham dirigir unidades responsáveis por faturamentos bilionários, ou ainda que empregados sem a adequada experiência em gestão estratégica sejam guindados às posições de direção superior apenas por indicação de políticos influentes e não por um processo de seleção baseado em competência, mérito e rigoroso cumprimento de requisitos. Será que se tivéssemos um método orientado por alguma consultoria de seleção de executivos ou headhunter algum dos atuais dirigentes seria selecionado? 

Esperamos que o Governo Federal perceba logo que os desafios de um cargo de direção superior numa grande estatal estão muito além da mera experiência de um assessor parlamentar ou de um DAS-4 e estabeleça requisitos compatíveis com a complexidade do desafio de gerir e liderar organizações fundamentais ao desenvolvimento social e econômico do Brasil, e que as grandes organizações estatais, independentemente do mínimo trazido em Lei, sigam o exemplo da PETROBRAS e estabeleçam logo POLÍTICAS DE INDICAÇÕES para barrar as indicações políticas e melhor qualificar seus dirigentes. E que seja extremamente rigoroso na cobrança do cumprimento de todos os requisitos estabelecidos.

No caso dos Correios, este tema da profissionalização da gestão é ainda mais sério, pois vivemos um momento em que a Empresa se vê diante de resultados extremamente negativos, produzidos essencialmente por direções tecnicamente despreparadas que por aqui se sucederam. Não foi o mercado, a economia ou os trabalhadores que desestruturaram a Empresa, mas sim as decisões tomadas por sua direção.   

E a solução não precisa vir com a privatização, com a desmontagem da Empresa ou com a demissão em massa de trabalhadores, como parecem pensar alguns de sua direção. Pode vir simplesmente com a profissionalização da gestão, que reconduzirá rapidamente os Correios ao patamar de excelência empresarial e de lucratividade que já ostentou.

É simples! Ou deveria ser!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Carta do Conselheiro - 21/03/2017

Encaminhamos aos colegas, em 21/03, Carta do Conselheiro, contendo informações sobre a reunião extraordinária do Conselho de Administração ocorrida naquela data.

Entre outros temas, foi tratada a questão da elegibilidade dos Vice-Presidentes.

Suspensão de férias

Diversos colegas me indagaram hoje a respeito de minha opinião sobre a decisão de suspensão de férias divulgada ontem pela Empresa. Procurarei responder aqui para que outros colegas possam também saber nossa opinião sobre o assunto.
Primeiramente é importante registrar que não se trata de um tema deliberado pelo Conselho de Administração, mas sim de alçada da Diretoria Executiva. Não houve, portanto, aprovação dessa decisão pelo CA.
Com relação à decisão propriamente dita, a recebi com espanto, como creio tenha acontecido com a maioria dos trabalhadores e gestores do quadro próprio dos Correios, pois é evidente, para qualquer um que conheça minimamente a Empresa, que se trata de algo realmente desastroso sob todos os aspectos e completamente ineficaz. No máximo, um engodo para protelar despesas inevitáveis, aliviando artificialmente o fluxo de caixa da Empresa, porém com efeitos catastróficos em termos operacionais.
É até difícil escrever sobre o óbvio, mas tentaremos isso.
Os Correios tem a imensa maioria de seus trabalhadores alocada na produção (mais de 80%), em unidades de atendimento, tratamento e distribuição dispersos pelo Brasil; consequentemente, precisam ter uma escala de férias bem distribuída ao longo do ano, de forma que se possa contar com uma quantidade adequada de pessoas, compatível com a carga de trabalho, em cada um dos meses. Isso sempre foi levado em conta nos Correios e as chefias distribuem os períodos de férias de forma a ter sempre algo como 10% em férias em determinado mês.
Sem concurso público desde 2011 e, portanto, com sérios vazios em diversas unidades, ao adotar uma medida como a suspensão das férias e sua marcação apenas ao final do segundo período aquisitivo, a direção da Empresa dá causa a um caos que se traduzirá em mais e maiores filas nas agências, em atrasos na entrega, sem contar o estresse e a sobrecarga que serão imputados aos trabalhadores.
E o efeito prático disso será apenas a passagem aos sucessores que vierem comandar a Empresa de uma conta acumulada e desse caos que fatalmente se instalará.
Produzir resultados artificiais de curto prazo é muito simples. Mas é, em geral, irresponsável, pois tais economias normalmente se transformam em maiores prejuízos mais à frente, sejam eles econômicos, de qualidade ou de imagem.
Isso, porém, não parece preocupar a direção política instalada nos Correios.
Os trabalhadores dos Correios só gostariam de poder fazer seu trabalho e de serem tratados com respeito, entretanto são submetidos a mais uma medida completamente absurda como esta.
Não há salvação sem a profissionalização da gestão!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Demissão motivada

Notícia veiculada recentemente na Empresa confirmou o que já vinha circulando como boato há algum tempo - a cogitação de a direção recorrer ao instrumento da demissão motivada para equilibrar gastos com pessoal. Desta feita, a menção ao assunto foi atribuída ao ministro.

A notícia tornou ainda mais confusa e turbulenta a situação dos trabalhadores, que se vêem cada vez mais envolvidos na solução de uma situação que não criaram - apesar de declarações de dirigentes afirmarem o contrário. Não foram, de fato, os trabalhadores que criaram a situação atual dos Correios, mas sim o Governo Federal e seus prepostos, com decisões e ações, como as seguintes:
a) recolhimento, em nível exagerado, de dividendos;
b) represamento de tarifas em período eleitoral;
c) escolha de dirigentes entre políticos e indicados políticos, sem a necessária competência e experiência para dirigir uma organização do porte dos Correios.

Parece, porém, mais fácil demitir trabalhadores, ainda que esses tenham entrado na organização pela porta da frente do concurso público e estejam apenas fazendo o trabalho que lhes foi atribuído, do que colocar na Empresa uma gestão profissional, que seja capaz de encarar os desafios do desequilíbrio financeiro e saneá-lo com medidas efetivas.

A politização da gestão cobra, nos Correios, o seu preço mais alto, colocando agora em risco o emprego de milhares de trabalhadores, que poderão ter que buscar a justiça para manter o que conquistaram num concurso público. Mais insegurança, disputas judiciais e consequente queda de produtividade.

Quem ganha com isso?

segunda-feira, 13 de março de 2017

Pela profissionalização da gestão nas estatais

Uma das primeiras declarações do atual Presidente da PETROBRAS noticiada pela imprensa foi de que, a partir daquele momento, não haveria mais aparelhamento político-partidário naquela companhia.

Nos Correios, porém, a direção política aqui colocada sustenta que a culpa da situação econômica da Empresa se deve aos técnicos que "sempre a dirigiram" (sic) e defende a indicação política, como consta na matéria do Diário do Grande ABC - link.

Observando as duas declarações nem parece que provenham de duas grandes organizações controladas pelo mesmo governo, afinal são diametralmente opostas.

Qual delas está correta? O que o Governo Federal pensa de suas estatais - quer ver sua gestão devidamente profissionalizada, como está fazendo na Petrobras e no BNDES, com resultados visíveis, ou pretende deixá-las confiadas a políticos e seus indicados, como tem feito nos Correios?

A privatização defendida como forma de resolver o problema caso não se queira políticos no comando da estatal não é solução para os brasileiros, que precisam de bons serviços, como os prestados pelos Correios nos rincões do País. É bem mais simples fazer o trivial e que o Governo Federal já está fazendo em outras estatais - profissionalizar a gestão, eliminando a interferência política.

E profissionalização de gestão não é apenas substituir um político por um empregado indicado por políticos. Isso não resolve. É necessário que toda a estrutura de direção e de gestão da Empresa seja confiada a pessoas com experiência e competência adequadas às respectivas funções. Áreas de negócios precisam ser dirigidas e geridas por quem entende profundamente desses negócios; áreas de operações precisam ser dirigidas e geridas por quem entenda profundamente dessas operações e assim por diante. Algo bem básico, que toda organização deveria seguir, mas que fica completamente deturpado quando o comando é confiado a políticos, por anos a fio, como tem acontecido nos Correios (diferentemente do que foi citado pelo entrevistado na matéria, como pode ser facilmente constatado consultando a lista de ex-Presidentes e ex-Vice-Presidentes da Empresa).

A culpa pelo estado de coisas criado nos Correios não é, portanto, dos trabalhadores. E mesmo que um político repita algo diferente à exaustão, não vai mudar a realidade. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Ata da 1ª Reunião Extraordinária do Conselho de Administração

Foi publicada no website dos Correios a ata da 1ª reunião extraordinária do Conselho de Administração dos Correios em 2017. A ata pode ser lida no seguinte link (selecionar reunião extraordinária do conselho de administração e, depois, 1ª reunião, no ano de 2017)

A leitura da ata complementa nosso informativo, enviado aos colegas em 10/02/2017, conforme link.